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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ciberespaço e Cibercultura: Construindo Saberes Coletivamente

Texto elaborado por Meninas Sábias

A invenção da escrita e a evolução da linguagem humana trouxeram grandes avanços à humanidade. Porém, não há como negar que a internet revolucionou as comunicações e rompeu com barreiras que limitavam o ser humano nos aspectos tempo e espaço. Atualmente a informação circula das mais variadas formas. Muitas vezes, sem saber como e onde, é possível encontrar a informação desejada. O outro não mais precisa estar fisicamente presente para que possamos interagir, trocar idéias, aprender e ensinar. As pessoas criam grupos de discussões nos quais trocam dúvidas ocorrendo uma troca de conhecimentos e informações e assim, vai se constituindo uma memória coletiva a partir da interação entre as pessoas. E cada um participa de acordo com seus gostos, paixões, necessidades e interesses. Esse é o maior dos encantamentos.


Mas que espaço é esse que tanto encanta e que tanto conhecimento tem a oferecer?

É o ciberespaço. A Wikipédia define ciberespaço como sendo “um espaço de comunicação que descarta a necessidade do homem físico para constituir a comunicação como fonte de relacionamento, dando ênfase ao ato da imaginação, necessária para a criação de uma imagem anônima, que terá comunhão com os demais”. Podemos dizer então, que o ciberespaço é o advento das comunicações em massa, uma vez que possibilita a expressão de opiniões diversas, de idéias, tornando possível a construção e a divulgação do saber, do conhecimento coletivo.

Essa relação do homem com o ciberespaço pode ocorrer por meio de vários instrumentos: computador, celular, ipod... No entanto, sem dúvida a internet é o principal ambiente do ciberespaço. Levy lembra que: na sociedade oral – anterior à escrita – quando um velho morria era uma biblioteca que se perdia. Com a escrita, o conhecimento não se perdia, uma vez que era armazenado no livro. No ciberespaço ganha ainda mais mobilidade de armazenamento e circulação tornando-se indestrutível.

Afinal, quais contribuições esse advento das comunicações pode trazer para a humanidade? Podemos dizer que há uma cultura sendo produzida ou construída nesse intenso e constante movimento?

É possível concluir que quanto mais a pessoa utiliza esses meios de comunicação, o celular e a internet, por exemplo, mais é detentora do poder da informação. Compartilhando essas informações, vão se construindo produções individuais e coletivas, geradoras de uma ampla rede de significados que se forma a partir dessas interações – a cibercultura.

Pierre Lévy define a cibercultura como "o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o ciberespaço". Para ele, a cibercultura, gerou alterações nas relações do homem com o saber e com o trabalho, trazendo também modificações nas funções cognitivas humanas. A partir da cibercultura os saberes surgem e se renovam muito rapidamente. Também constatou que o trabalho assume nova natureza: "Trabalhar equivale cada vez mais a aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos". Esse movimento acelerado e contínuo é capaz de alterar muitas funções cognitivas humanas: a memória (banco de dados, hipertextos, fichários digitais [numéricos] de todas as ordens), a imaginação (simulações), a percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), os raciocínios (inteligência artificial, modelização, de fenômenos complexos).

Se antes o saber centrado apenas no professor que planejava detalhadamente os conhecimentos que seriam transmitidos aos alunos, considerados meros receptores, era entendido como a única maneira de aprender, hoje vemos que existem inúmeras formas mais eficazes e atrativas de proporcionar aprendizagens. Para Pierre Lévy “o que deve ser aprendido não pode mais ser planejado, nem precisamente definido de maneira antecipada. Os percursos e os perfis de competência são todos eles, singulares e está cada vez menos possível canalizar-se em programas ou currículos que sejam válidos para todo o mundo”. Portanto, o acesso aos meios que possibilitam o contato com o ciberespaço oportuniza o desenvolvimento de diferentes e variadas habilidades em todos os alunos, as quais, por sua vez, lhes permitem realizar novas aprendizagens de forma autônoma. A passividade dá lugar à interatividade. No entanto, é preciso tomar cuidado com a forma que as novas tecnologias estão sendo empregadas para que não se tornem apenas mais uma metodologia. Vejamos um exemplo:



Podemos dizer que a cibercultura, devido seu grande poder de transformação, retrata exatamente o que vivemos hoje, o momento atual. É a cultura do presente: o que foi produzido ontem poderá ter sido modificado e o que será produzido amanhã poderá modificar o que foi produzido hoje. Através dela, criamos e desfazemos verdades, competências e habilidades. Nesse processo, todos podemos ser
produtores ou co-produtores de informações e autores de narrativas que representam nossos conhecimentos sobre determinado tema ou problema. Assim são consideradas as colaborações de cada sujeito. Dessa forma não estamos mais na posição de meros receptores. Agora podemos intervir, criar, participar, colaborar, modificar, cooperar, enfim produzir cultura coletivamente em tempo real. Nunca estivemos tão distantes, mas ao mesmo tempo tão próximos quanto estamos hoje.

E assim


"Estamos criando um mundo que todos poderão entrar sem privilégios ou preconceitos de acordo com a raça, poder econômico, força militar ou lugar de nascimento.

Estamos criando um mundo onde qualquer um em qualquer lugar poderá expressar opiniões, nãoimportando quão singular, sem temer que seja coagido ao silêncio ou conformidade." (John Perry Barlow - 1996)

Não pretendemos dizer que toda essa interação substituirá o contato entre as pessoas, o que ocasionaria o isolamento humano. Apenas fazemos um convite a um mergulho consciente e responsável nessa sociedade virtual da qual não há mais como fugir.




Bibliografia:

http://pt.shvoong.com/humanities/1708077-viii-som-da-cibercultura-cibercultura/

http://pt.shvoong.com/humanities/1708816-nova-rela%C3%A7%C3%A3o-com-saber-cibercultura/


http://pt.shvoong.com/humanities/1702570-ciberespa%C3%A7o-ou-virtualiza%C3%A7%C3%A3o-da-comunica%C3%A7%C3%A3o/


http://caosmose.net/pierrelevy/educaecyber.html


http://www.uff.br/mestcii/angele2.htm


http://www.eproinfo.mec.gov.br/webfolio/Mod83527/etapa1/pag12.html


http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberespa%C3%A7o


http://www.moodle.ufba.br/mod/book/view.php?id=18272&chapterid=12051


http://www.cultura.gov.br/site/2006/10/23/declaracao-de-independencia-do-ciberespaco/

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