A invenção da escrita e a evolução da linguagem humana trouxeram grandes avanços à humanidade. Porém, não há como negar que a internet revolucionou as comunicações e rompeu com barreiras que limitavam o ser humano nos aspectos tempo e espaço. Atualmente a informação circula das mais variadas formas. Muitas vezes, sem saber como e onde, é possível encontrar a informação desejada. O outro não mais precisa estar fisicamente presente para que possamos interagir, trocar idéias, aprender e ensinar. As pessoas criam grupos de discussões nos quais trocam dúvidas ocorrendo uma troca de conhecimentos e informações e assim, vai se constituindo uma memória coletiva a partir da interação entre as pessoas. E cada um participa de acordo com seus gostos, paixões, necessidades e interesses. Esse é o maior dos encantamentos.
Mas que espaço é esse que tanto encanta e que tanto conhecimento tem a oferecer?
É o ciberespaço. A Wikipédia define ciberespaço como sendo “um espaço de comunicação que descarta a necessidade do homem físico para constituir a comunicação como fonte de relacionamento, dando ênfase ao ato da imaginação, necessária para a criação de uma imagem anônima, que terá comunhão com os demais”. Podemos dizer então, que o ciberespaço é o advento das comunicações em massa, uma vez que possibilita a expressão de opiniões diversas, de idéias, tornando possível a construção e a divulgação do saber, do conhecimento coletivo.
Afinal, quais contribuições esse advento das comunicações pode trazer para a humanidade? Podemos dizer que há uma cultura sendo produzida ou construída nesse intenso e constante movimento?
Pierre Lévy define a cibercultura como "o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o ciberespaço". Para ele, a cibercultura, gerou alterações nas relações do homem com o saber e com o trabalho, trazendo também modificações nas funções cognitivas humanas. A partir da cibercultura os saberes surgem e se renovam muito rapidamente. Também constatou que o trabalho assume nova natureza: "Trabalhar equivale cada vez mais a aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos". Esse movimento acelerado e contínuo é capaz de alterar muitas funções cognitivas humanas: a memória (banco de dados, hipertextos, fichários digitais [numéricos] de todas as ordens), a imaginação (simulações), a percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), os raciocínios (inteligência artificial, modelização, de fenômenos complexos).
Podemos dizer que a cibercultura, devido seu grande poder de transformação, retrata exatamente o que vivemos hoje, o momento atual. É a cultura do presente: o que foi produzido ontem poderá ter sido modificado e o que será produzido amanhã poderá modificar o que foi produzido hoje. Através dela, criamos e desfazemos verdades, competências e habilidades. Nesse processo, todos podemos ser produtores ou co-produtores de informações e autores de narrativas que representam nossos conhecimentos sobre determinado tema ou problema. Assim são consideradas as colaborações de cada sujeito. Dessa forma não estamos mais na posição de meros receptores. Agora podemos intervir, criar, participar, colaborar, modificar, cooperar, enfim produzir cultura coletivamente em tempo real. Nunca estivemos tão distantes, mas ao mesmo tempo tão próximos quanto estamos hoje.
E assim
"Estamos criando um mundo que todos poderão entrar sem privilégios ou preconceitos de acordo com a raça, poder econômico, força militar ou lugar de nascimento.
Estamos criando um mundo onde qualquer um em qualquer lugar poderá expressar opiniões, nãoimportando quão singular, sem temer que seja coagido ao silêncio ou conformidade." (John Perry Barlow - 1996)
Bibliografia:
http://pt.shvoong.com/humanities/1708077-viii-som-da-cibercultura-cibercultura/
http://pt.shvoong.com/humanities/1708816-nova-rela%C3%A7%C3%A3o-com-saber-cibercultura/
http://pt.shvoong.com/humanities/1702570-ciberespa%C3%A7o-ou-virtualiza%C3%A7%C3%A3o-da-comunica%C3%A7%C3%A3o/
http://caosmose.net/pierrelevy/educaecyber.html
http://www.uff.br/mestcii/angele2.htm
http://www.eproinfo.mec.gov.br/webfolio/Mod83527/etapa1/pag12.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberespa%C3%A7o
http://www.moodle.ufba.br/mod/book/view.php?id=18272&chapterid=12051
http://www.cultura.gov.br/site/2006/10/23/declaracao-de-independencia-do-ciberespaco/
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